INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL CASEIRA E A IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA PATERNIDADE DOS DOADORES DE MATERIAL GENÉTICO E OS DIREITOS DA PERSONALIDADE

Autores

  • Mylene Manfrinato dos Reis Amaro UNICESUMAR https://orcid.org/0000-0002-6953-732X
  • Janaina Sampaio de Oliveira Universidade Cesumar - Unicesumar
  • Valéria Silva Galdino Cardin Universidade Cesumar - Unicesumar

DOI:

https://doi.org/10.55839/2318-8650RevParRPv34n3pa113-134

Palavras-chave:

Direitos da personalidade; inseminação caseira; paternidade.

Resumo

A pesquisa busca avaliar o reconhecimento da paternidade proveniente da inseminação humana caseira. O problema que orienta o estudo pode ser sintetizado na seguinte pergunta: em que medida a inseminação humana caseira efetiva o livre planejamento familiar e reconhece o direito da personalidade a paternidade? Com base nos dados levantados, refletidos na bibliografia que dá sustentação ao presente estudo, torna-se possível afirmar que as inovações tecnológicas no campo da reprodução assistida tendem a superar os problemas de infertilidade e/ ou esterilidade humana. O objetivo geral do texto consiste em avaliar a vulnerabilidade do doador do material genético que é conhecido pelos idealizadores do projeto parental, mas não é permitido o reconhecimento da paternidade do mesmo ao bebê nascido. Os objetivos específicos do texto foram divididos em três seções: a) discorrer acerca da evolução e transformação da família por meio das técnicas de reprodução assistida; b) avaliar sobre o problema da falta de legislação frente as inovações procriativas; c) perquirir sobre o contexto legal e social relacionado ao registro civil de filhos concebidos por meio de inseminação artificial caseira, identificando os desafios e a impossibilidade de reconhecimento do vínculo parental do doador, bem como os prejuízos decorrentes para os direitos da personalidade das partes envolvidas. O método de pesquisa utilizado foi o hipotético-dedutivo, mediante o emprego de técnica de pesquisa bibliográfica e documental.

Biografia do Autor

Mylene Manfrinato dos Reis Amaro, UNICESUMAR

Doutora em direitos da Personalidade pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGCJ) da Universidade Cesumar (UNICESUMAR), com enfoque nos direitos da personalidade e o seu alcance na contemporaneidade; Bolsista pelo PROSUP/CAPES. Mestre em Ciências Jurídicas pela Universidade Cesumar - Unicesumar. Bolsista Taxa do Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares (PROSUP/CAPES). Especialista em Direito Civil pela Uniasselvi, Especialista em Gestão e Tecnologias Ead Uniasselvi. Pós-Graduanda em Docência no Ensino Superior na Universidade Cesumar - Unicesumar. Membra do grupo de Pesquisa Proteção Integral da Pessoa: Interações dos Direitos Humanos, dos Direitos Fundamentais e dos Direitos da Personalidade e Grupo de Pesquisa: Reconhecimento e Garantia dos Direitos da Personalidade. Advogada no Paraná. Graduada no Curso de Direito da Instituição de Ensino Superior UNICESUMAR, da cidade de Maringá-PR. Professora conteudista do EaD da Unicesumar. Foi estagiária no PROCON - SARANDI (2014 - 2015), PROCURADORIA DO MUNICÍPIO DE SARANDI (2015), NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA - UNICESUMAR (2017) e CENTRO JUDIÁRIO DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS - CEJUSC UNICESUMAR (2017 e 2019). Pesquisadora no Programa Institucional de Iniciação Cientifica PIC - UNICESUMAR (2016 - 2017 e 2019). Docente no presencial e Ead na Unifatecie e Docente na Unicv de Maringá. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direitos da Personalidade, Direito Civil, Direito de Família e Direito Penal. Advogada. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9823515361337604; Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6953-732X; E-mail: mylenemanfrinato@gmail.com

Janaina Sampaio de Oliveira, Universidade Cesumar - Unicesumar

Mestre em Ciências Jurídicas pelo Centro Universitário de Maringá UNICESUMAR; Pós-graduada em Direito Médico e Gestão Hospitalar pelo Centro Universitário Leonardo da VINCI UNISSELVI; Pós-graduada em Direito Empresarial pela Universidade Federal de Mato Grosso UFMT, Presidente da Comissão de Direito a Saúde da 3 Subseção dos Advogados do Brasil - Seccional Cáceres no triênio 2020/2023. Sócia Fundadora do Escritório Sampaio Silva Advogados. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9322531668700367; E-mail: janasampaioliveira@gmail.com

Valéria Silva Galdino Cardin , Universidade Cesumar - Unicesumar

Pós-Doutora em Direito pela Universidade de Lisboa (2013); Doutora em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) (2002); Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) (1997); Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) (1986). Atualmente é Professora Aposentada da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Professora da Graduação e dos Cursos de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas da Universidade Cesumar (UNICESUMAR); Pesquisadora do ICETI; Líder do Grupo de Pesquisa ''Reconhecimento e Garantia dos Direitos da Personalidade'', vinculado ao CNPq. Tem experiência na área do Direito Civil, Direito Processual Civil, da Bioética e do Biodireito, atuando principalmente nos temas correlatos ao Direito das Famílias, à Responsabilidade Civil, aos Direitos da Personalidade, bem como aos direitos dos animais, das mulheres, negros, dos índios, das pessoas com deficiência, das minorias sexuais e dos demais grupos e minorias vulneráveis. Presidente do Núcleo Regional de Maringá do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Membra do Law Society Association. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8121501433418182;  Orcid: https://orcid.org/0000-0001-9183-0672; E-mail: Valéria Silva Galdino Cardin

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Publicado

2026-03-17

Como Citar

Mylene Manfrinato dos Reis Amaro, Janaina Sampaio de Oliveira, & Valéria Silva Galdino Cardin. (2026). INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL CASEIRA E A IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA PATERNIDADE DOS DOADORES DE MATERIAL GENÉTICO E OS DIREITOS DA PERSONALIDADE . REVISTA PARADIGMA, 34(3), 113–134. https://doi.org/10.55839/2318-8650RevParRPv34n3pa113-134