Ecoansiedade: entre o reconhecimento do sofrimento e os limites da patologização
DOI:
https://doi.org/10.59464/2359-4632.2026.4211Palavras-chave:
Ansiedade, Mudanças Climáticas, Saúde MentalResumo
As mudanças climáticas intensificaram impactos sobre a saúde física, mental e social, tornando a ecoansiedade um tema crescente na literatura científica. Caracterizada por emoções como medo, tristeza, culpa e desesperança diante da degradação ambiental, a ecoansiedade difere dos transtornos de ansiedade tradicionais por estar relacionada a uma ameaça real e amplamente documentada. Estudos apontam sua associação com sofrimento psicológico, mas também destacam seu potencial caráter adaptativo, refletindo uma resposta coerente à crise climática. Embora venha sendo investigada por meio de escalas e modelos conceituais, a ecoansiedade ainda não é reconhecida como categoria diagnóstica pelos principais sistemas classificatórios em saúde mental. Nesse contexto, o editorial discute o desafio de reconhecer e acolher esse sofrimento sem reduzi-lo automaticamente à lógica da patologização. Interpretar toda resposta emocional à crise climática como doença pode deslocar para o indivíduo um problema cuja origem é coletiva, ambiental e política. Assim, propõe-se que a saúde amplie sua abordagem, articulando cuidado clínico e ações voltadas às causas estruturais das mudanças climáticas. Reconhecer a ecoansiedade como expressão legítima da experiência humana diante da crise ambiental contribui para evitar a medicalização de reações proporcionais a ameaças objetivas e reforça a necessidade de respostas integradas para proteger a saúde e o bem-estar das populações.
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