INTERSECCIONALIDADE DA VULNERABILIDADE E O DIREITO À ALIMENTAÇÃO: MÃES SOLO E POLÍTICAS DE SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL
Palavras-chave:
Seguridade Social, Mães Solo, Insegurança Alimentar, Vulnerabilidade Social, Políticas PúblicasResumo
O presente estudo investiga a complexa relação entre as políticas de seguridade social brasileiras e a vulnerabilidade social de grupos minoritários, com foco especial em mães solo, crianças e adolescentes. A pesquisa se baseia em uma análise crítica e histórica, argumentando que a trajetória da cidadania no Brasil, marcada por uma herança colonial de desigualdades e um modelo de desenvolvimento que tendeu ao paternalismo, impacta diretamente na efetividade da seguridade social.
O trabalho explora a interseccionalidade da vulnerabilidade, examinando como a condição de ser mulher e chefe de família, muitas vezes somada à precarização do trabalho, expõe as mães solo e seus dependentes a um risco maior de insegurança alimentar e social. A análise se aprofunda na evolução das políticas de segurança alimentar e nutricional (SAN), que se deslocaram do setor de saúde para o de desenvolvimento social, com o Programa Bolsa Família se tornando um eixo central de ação. Contudo, o estudo questiona se essa abordagem, ao focar na transferência de renda, promove a real emancipação desses grupos ou se, em alguns casos, fortalece um modelo de dependência estatal que lembra o assistencialismo do passado.
A pesquisa também analisa o papel do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e de marcos legais como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na proteção desses grupos vulneráveis. O artigo discute os desafios enfrentados pela seguridade social, incluindo o retorno do Brasil no Mapa da Fome da ONU, a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e as recentes iniciativas de reconstrução dessas políticas.
Por fim, a pesquisa defende que a efetividade da seguridade social para mães solo e seus filhos depende de uma reavaliação crítica do modelo de assistência social, que deve ir além da mera provisão de benefícios. É necessário fortalecer o protagonismo desses grupos, garantindo que as políticas públicas sejam ferramentas de autonomia e empoderamento, e não de controle social, para que a cidadania se torne uma realidade plena e não apenas uma promessa.
Palavras-chave: Seguridade Social, Mães Solo, Insegurança Alimentar,Vulnerabilidade Social e Políticas Públicas.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Anais do Congresso Internacional da Rede Iberoamericana de Pesquisa em Seguridade Social

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.