INTERSECCIONALIDADE DA VULNERABILIDADE E O DIREITO À ALIMENTAÇÃO: MÃES SOLO E POLÍTICAS DE SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL

Autores/as

  • Lucyana Ruth Alves da Silva Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP)
  • Sebastião Sérgio da Silveira Universidade de Ribeirão Preto ( UNAERP)

Palabras clave:

Seguridade Social, Mães Solo, Insegurança Alimentar, Vulnerabilidade Social, Políticas Públicas

Resumen

O presente estudo investiga a complexa relação entre as políticas de seguridade social brasileiras e a vulnerabilidade social de grupos minoritários, com foco especial em mães solo, crianças e adolescentes. A pesquisa se baseia em uma análise crítica e histórica, argumentando que a trajetória da cidadania no Brasil, marcada por uma herança colonial de desigualdades e um modelo de desenvolvimento que tendeu ao paternalismo, impacta diretamente na efetividade da seguridade social.

O trabalho explora a interseccionalidade da vulnerabilidade, examinando como a condição de ser mulher e chefe de família, muitas vezes somada à precarização do trabalho, expõe as mães solo e seus dependentes a um risco maior de insegurança alimentar e social. A análise se aprofunda na evolução das políticas de segurança alimentar e nutricional (SAN), que se deslocaram do setor de saúde para o de desenvolvimento social, com o Programa Bolsa Família se tornando um eixo central de ação. Contudo, o estudo questiona se essa abordagem, ao focar na transferência de renda, promove a real emancipação desses grupos ou se, em alguns casos, fortalece um modelo de dependência estatal que lembra o assistencialismo do passado.

A pesquisa também analisa o papel do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e de marcos legais como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na proteção desses grupos vulneráveis. O artigo discute os desafios enfrentados pela seguridade social, incluindo o retorno do Brasil no Mapa da Fome da ONU, a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e as recentes iniciativas de reconstrução dessas políticas.

Por fim, a pesquisa defende que a efetividade da seguridade social para mães solo e seus filhos depende de uma reavaliação crítica do modelo de assistência social, que deve ir além da mera provisão de benefícios. É necessário fortalecer o protagonismo desses grupos, garantindo que as políticas públicas sejam ferramentas de autonomia e empoderamento, e não de controle social, para que a cidadania se torne uma realidade plena e não apenas uma promessa.

 

Palavras-chave: Seguridade Social, Mães Solo, Insegurança Alimentar,Vulnerabilidade Social e Políticas Públicas.

 

Biografía del autor/a

Lucyana Ruth Alves da Silva, Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP)

Doutoranda e Mestre em Direitos Coletivos e Cidadania pelo Programa de Pós-Graduação em Direitos Coletivos e Cidadania da Universidade de Ribeirão Preto (PPGDCC/UNAERP). Pesquisadora e Educadora. Especialista em Direito Civil e Processo Civil pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP, 2024); em Direito Penal e Criminologia pela Faculdade CERS (2025); em Direitos Humanos pela Faculdade CERS (2025); e em Prevenção e Defesa da Mulher. Graduada em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (2020). Jornalista (MTB 27.732/RJ) pela UNESA / Rio de Janeiro- RJ (2004). Licenciada em Letras - Português/Inglês e respectivas literaturas pela UNESA / Rio de Janeiro- RJ (2011). Mediadora e Conciliadora certificada pelo Conselho Nacional de Justiça (2016). Facilitadora de Justiça Restaurativa na Delegacia da Mulher de Ribeirão Preto- SP. Atua como Pesquisadora, professora com experiência consolidada na área da Educação e no campo jurídico, com ênfase em direitos coletivos, cidadania e enfrentamento à violência contra a mulher. É dedicada à pesquisa acadêmica e comprometida com a docência.

Sebastião Sérgio da Silveira, Universidade de Ribeirão Preto ( UNAERP)

Possui graduação em Ciências Jurídicas pela Universidade de Ribeirão Preto (1984), Mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999); Doutorado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004) e Pós-Doutoramento pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal (2011). Advogado e Consultor. Promotor de Justiça Aposentado do Ministério Público do Estado de São Paulo (1988-2024); Professor Titular da Universidade de Ribeirão Preto, onde é o seu Reitor e Professor Doutor do Departamento de Direito Público da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo - FDRP-USP. Profesor Honorario da Faculdad de Derecho da Universidad San Martin de Porres - Lima - Peru. Integra, como fundador, a Red Iberoamericana de Investigación en Seguridad Social - RISS. Integrou, de março de 2.011 a 2.016, o Comitê Executivo Estadual, do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, do Conselho Nacional de Justiça - CNJ. Editor Chefe da Revista Paradigma e da Revista Reflexão e Crítica do Direito. Membro Colaborador da Corregedoria Nacional do Ministério Público, do Conselho Nacional do Ministério Público CNMP, de 28.10.2022 a 06.02.2024. Membro da Comissão Especial de Ensino Jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB - Seção São Paulo. Tem experiência na área de Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: improbidade; ação civil pública, meio ambiente, terceiro setor, saúde pública, infância e juventude, cidadania e processo penal.

Publicado

2026-03-17

Número

Sección

GT "O desafio de proteção aos vulneráveis no século XXI"