O CONCEITO DE “IA FIRST” E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA: O “MITO” DA EFICIÊNCIA NA SOCIEDADE DO CANSAÇO
Resumo
O avanço da inteligência artificial (IA) consolidou o paradigma “AI First”, que promete ganhos expressivos de eficiência. No constitucionalismo brasileiro, contudo, a prevalência do princípio da dignidade da pessoa humana impõe que a técnica permaneça meio, não fim. A pergunta que o presente artigo se propõe a analisar é: em que medida a priorização da eficiência técnica é compatível com a concretização da cidadania e com a proteção da dignidade? Para responder a essa questão, adotou-se uma metodologia de caráter teórico-exploratório, qualitativo e dedutivo, que dialoga com as reflexões propostas por Jacques Ellul e Byung-Chul Han. Essa perspectiva permite evidenciar riscos como vieses, opacidade, despersonalização, vigilância e a gestão algorítmica do trabalho, ao mesmo tempo em que propõe diretrizes de governança tecnológica que obedeçam aos imperativos da centralidade humana. Conclui-se que a IA só pode ser instrumento de cidadania quando fortalece — e não substitui — a experiência humana, subordinando a eficiência a critérios de transparência, equidade, participação social e proteção de dados, tendo a dignidade e a cidadania como parâmetros decisórios centrais.
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