ACELERAÇÃO SOCIAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA
Resumo
O presente trabalho analisa a institucionalização da inteligência artificial no Direito a partir da teoria da aceleração social desenvolvida por Hartmut Rosa. Parte-se do diagnóstico de que, na modernidade tardia, o tempo tornou-se uma estrutura social marcada pela exigência de produtividade ou “fome de tempo”, em que os avanços tecnológicos - sob a promessa de otimizar o trabalho e economizar tempo - acabam intensificando o ritmo da vida e a sobrecarga de tarefas. Nesse contexto, a incorporação de sistemas de inteligência artificial generativa (LLM) ao Judiciário brasileiro é compreendida como expressão contemporânea dessa lógica de aceleração. Embora representem ganhos de eficiência, tais ferramentas tendem a reduzir o espaço de reflexão e a função hermenêutica do jurista, transformando a prática jurídica em atividade supervisionada e automatizada. Conclui-se que, sendo a interpretação um existencial, a aceleração tecnológica e a delegação decisória às máquinas ameaçam a densidade do Direito e a legitimidade das decisões judiciais.
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